Reflectindo …
Ao longo do tempo contribui para a sociedade fazendo parte das mais diversas instituições, desportivas, culturais e até politicas. Face a algumas situações mais recentes que me puseram a pensar, resolvi fazer uma pequena análise sobre algumas coisas que se passaram desde que me inicie nessa aventura do associativismo aos 17 anos. Na juventude pertenci a uma associação desportiva de caracter popular (clube de bairro), a que se seguiu uma breve passagem pela area cultural, logo seguida por uma incursão mais longa na area política. Voltei á area desportiva, onde continuo, possivelmente por pouco tempo.Neste muitos anos dedicados a servir os outros passei por muitos momentos muito bons, outros só bons, mas tambem por alguns momentos maus ou menos bons. Fiz muitos amigos e tambem alguns inimigos, mas quem se mete nestas andanças tem que estar preparado para tudo o que de bom e mau acontece. Sei que não sou perfeito mas tentei sempre fazer o trabalho a que me comprometi, o melhor que sabia e podia, umas vezes acertei, outras falhei, mas no cômputo geral acho que não me posso dar por insatisfeito, senão não continuaria nesta vida nem continuaria a receber convites para trabalhar em algumas instituições. Tudo o que fiz, filo por gosto e sem pedir nada em troca, apenas tive o intuito de ajudar.Mas, quando depois destes anos todos, alguem (que muito estimo) me pergunta: porque fazes isto, o que ganhas com isso? Fico com um enorme desejo de reflectir. E chego a uma conclusão, é que faria novamente quase tudo da mesma maneira.Mudaria pouca coisa, talvez e depois de analisar a minha maneira de ser e o meu comportamento ao longo de todos estes anos e perguntando a mim mesmo porque é que certas situações continuam a acontecer, pois sempre pus a responsabilidade, o respeito e a amizade acima de tudo, verifico que em alguns casos esse respeito e essa amizade não foram suficientes para tambem eu ser respeitado e faz-me pensar que na ansia de ajudar, na ansia de dar aos outros as oportunidades de fazerem o que mais gostam, foi eu que acabei por ser ultrapassado, até mesmo usado.Sei que cometi alguns erros, o maior de todos, se calhar foi querer fazer tudo, ajudar em tudo e não ter dado o espaço que em alguns casos devia ter sido dado.O bom é inimigo do optimo.
No entanto se só sou “bom ou menos mau” quando precisam de mim é porque falhei na minha missão, o que me leva a pensar que é hora de parar.Fazer amigos foi o único ganho que tive ao longo destes anos, mas se alguns só me conhecem quando precisam de mim, algo está mal nestas “ditas” amizades ou foi eu que não consegui transmitir os valores que estão por detrás de todo o trabalho que realizei ou ajudei a realizar.Continuo a achar que os seres humanos são todos boas pessoas até prova em contrario, por isso continuo a acreditar que valeu a pena tudo o que fiz, mas que sinto uma certa magoa, sinto, é que quem não se sente não é filho de boa gente, lá diz o ditado popular.
O reconhecimento do meu trabalho nunca foi o meu objectivo, pois sempre trabalhei com gosto e prazer na procura de soluções que pudessem levar as colectividades onde estive a ter um melhor desempenho das suas actividades e nada mais do que isso, mas às vezes custa que pessoas a quem demos tudo sem pedir nada em troca, não tenham um apalavra de incentivo, não nos ajudem a querer continuar a servir. Não basta dizer que se é amigo, deve-se demonstrar nem que seja num simples gesto.Talvez só o gesto de dizer, estou aqui, está tubo bem?
Aos muitos amigos que fiz e que me não decepcionaram um grande abraço, aos outros, felizmente poucos, que tambem sejam felizes.
Prefiro uma verdade, uma verdade que dói a uma mentira que engane.
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